Renault Duster Oroch automática: primeiras impressões

Qui, 03 de novembro de 2016 • 11:17 • Autos

Novidade nem sempre é sinônimo de inovação. A Renault Duster Oroch, por exemplo, inaugurou o segmento das picapes “quase-médias” no final do ano passado. Mas é a principal rival, que chegou depois, que tem levado a melhor desde então.
 
A Fiat Toro chegou meses depois, com boas sacadas e um visual caprichado. Não deu outra, logo assumiu a liderança do novo segmento, principalmente por oferecer maior variedade de versões. Em outubro, inclusive, a Toro figurou pela primeira vez entre os 10 veículos mais vendidos do país.
 
Para não ficar tão para trás, a Renault contra-atacou com a chegada da transmissão automática para a Oroch. Oferecida na versão Dynamique, custa R$ 77,9 mil – como comparação, a Toro 1.8, também automática, parte de R$ 82.930.
 
Nova velha transmissão
A versão é nova, mas o câmbio não. A transmissão automática de 4 velocidades é a mesma usada pelo grupo Peugeot Citroën há mais de uma década. Ela também está presente no Duster desde o final de 2011 e já foi “casada” com os compactos Sandero e Logan.
 
Com poucas exceções, ninguém mais usa transmissões automáticas de 4 marchas. A Ford, no exterior, já tem caixa de 10 velocidades. Um projeto já ultrapassado em um componente tão importante é um sinal de que a experiência com a Oroch automática pode não ser tão agradável.
 
A sensação foi comprovada ao longo de uma semana que o modelo foi testado pelo G1. Neste período, foram percorridos trechos urbanos e rodoviários. Outra prova de que a picape com estra transmissão já nasce “datada”? O consumo de combustível. Com etanol, a média urbana foi de 5,5 km/l e a rodoviária de 8 km/l. Com este consumo, a autonomia na cidade é de apenas 275 km.
 
Como anda?
Ao volante, as coisas não melhoram. E o problema não é o motor. O 2.0 de 148 cv se sai bem quando casado com a transmissão manual de seis marchas. Só que a caixa automática de 4 marchas não consegue aproveitar bem a potência e o torque, que é de 20,9 kgfm.
 
A falta de marchas adicionais faz com que, a 120 km/h, o motor funcione em altas 4 mil rotações por minuto. Isso faz com que o consumo aumente bastante e ainda causa desconforto aos ocupantes, com o ruído do motor invadindo a cabine sem qualquer cerimônia.
 
Outra falha é a indecisão. O câmbio parece aquelas pessoas que levam uma “eternidade” para decidir qual prato pedir em um restaurante. Em trechos de serra isso fica evidente, já que a transmissão parece não saber se estica uma marcha para continuar a fornecer força, ou se passa para a próxima, achando que o desempenho pode ser mantido.
 
A solução é passar para o modo manual e fazer as trocas na hora adequada diretamente na alavanca. Na cidade, a vida com a transmissão é mais amistosa, mas a experiência de condução fica longe de ser prazerosa por conta da morosidade nas trocas de marcha.
 
Apesar da relação pouco amistosa do motor com o câmbio, a Oroch tem uma suspensão multilink – pouco usual em picapes – bem acertada. Ela garante conforto ao rodar e uma boa estabilidade para este tipo de veículo. A direção hidráulica foi substituída por uma eletro-hidráulica, que garante maior leveza nas manobras.
 
Faltam equipamentos
A Oroch automática tem um único pacote de opcionais, o Outsider, que custa R$ 3.490. Ele inclui capota marítima, faróis auxiliares integrados ao para-choque, molduras plásticas no para-lama e grade no vidro traseiro.
 
Além disso, ela vem de fábrica com ar-condicionado, vidros, travas e retrovisores elétricos, central multimídia com tela sensível ao toque, controle de velocidade de cruzeiro, câmera de ré, rodas de 17 polegadas e volante multifuncional.
 
O pacote é basicamente o mesmo do Sandero Dynamique com câmbio automatizado. O hatch ainda conta com ar-condicionado digital. Só que a diferença de preços entre eles é de R$ 25.190, já que o Sandero sai por R$ 56.200.
 
Isso só evidencia que a Oroch oferece poucos equipamentos pelo que custa. Faltam controles de tração e estabilidade, ar-condicionado digital e até sensores de luz e chuva – itens que não são oferecidos nem como opcionais.
 
Conclusão
Conjunto mecânico e lista de equipamentos discreta fazem a Oroch automática parecer uma picape de 10 anos atrás. E não é por falta de tecnologias mais modernas dentro da própria Renault.
 
A marca tem melhores opções de transmissão em outros modelos. O Duster europeu, por exemplo, acaba de ganhar um câmbio de dupla embreagem e seis marchas, enquanto o Captur nacional terá transmissão CVT. Sandero e Logan já contam com ar-condicionado digital, enquanto o Sandero RS tem controles de tração e estabilidade.
 
A solução adotada pela Renault para a Oroch parece ter sido provisória, para conseguir emplacar mais unidades. Por outro lado, conforme novos modelos vão sendo lançados, a picape vai ficando cada vez mais obsoleta.
 
Fonte: Portal GLOBO.com

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